# Uma vista de baixo para cima

do mundo em que vivo e da vida que levo #



Renda

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São Paulo, São Paulo, Brazil
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Não tenho medo de demônios, mas, corro dos que acreditam neles.







Nhandutí,

Nhandutí,
para reconhecer importância

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Rendas,passatempo lucrativo!

É inegável o fascínio das rendas. Tão variadas,sugerem beleza e dedicação. Há muito,são feitas,geralmente por mulheres,como mostra de lealdade. Relacionam-se com as aranhas,que tecem suas teias e não cansam de esperar. Há lugares famosos por suas rendas,cujo nome acabou batizando o trabalho ali realizado.Há rendas especificadas pelo complemento que recebem,outras,pela técnica empregada.Não esqueçamos os fios sintéticos e as rendas industrializadas,produzidas em grande escala,que buscam motivos tradicionais,mas que satisfazem necessidades bem mais modernas. Nada como rendas para fazer véus e vestidos de noivas. Realmente,rendas revelam muitas coisas... Exigem muita atenção e horas de entrega,demonstrando fidelidade. Quando um trabalho fica pronto,há grande satisfação.Se for bem vendido,pode aumentar as rendas do casal.Tudo vai ficar mais bonito! Quem diria que uma atividade tão antiga ia atravessar os tempos?Afinal,aproveitar fios é coisa velha,uma forma de enfrentar o frio. Podem-se conseguir vários efeitos de cor e sobreposição.O difícil é escapar da transparência da renda.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mercadão

Quando o ônibus circundava o Palácio das Indústrias, sentia-se grande satisfação.
Estava chegando o ponto-final,era o fim do sofrimento.Ia-se muito cedo enfrentar várias filas para conseguir uma boa colocação para ir pela Celso Garcia,por mais de uma hora,até o centro.
Na época,ali era o Primeiro Distrito.
Eu trabalhava na Serasa,na Rua 15 de Novembro:era só subir a ladeira General Carneiro e virar à direita.Eu era arquivista.
Aquilo tudo me parecia imenso e me impressionava,mas meu encanto era mais embaixo:Rua 25 de Março.
Havia muitas lojas de tecidos e os tecidos eram maravilhosos.
O movimento era grande,mas eu procurava lembranças da infãncia:
Queria achar a Papescu,cujos saldos atraiam há muito,tanto minha mãe,como minha tia.Queria os amendoins ou os pedaços de coco,caramelados, que minha mãe nos dava,quase todo dia,quando chegava do serviço.Queria raleu...
Descobri o Mercado e adorei.
Para mim,é ali o centro da vida.
Sempre que posso,vou ali comer meu doce e comprar chancliche.
Nunca vou esquecer,quando passei,com a Sueli,atrás do mercado.
Lá dentro, podem-se encontrar belissímos exemplares das frutas mais incríveis,vindas de longínquas regiões do Brasil coisas sofisticadas,do mundo inteiro.
Nos fundos,várias pessoas disputando o que podiam aproveitar dos restos do mercado,jogados em latões por funcionários de algum dos muitos 'boxes'.As mercadorias precisam estar perfeitas para serem compradas.
Pensei nos coitados que só vivem sob complexos cuidados,vendo aquela gente que não morre de jeito nenhum,mesmo comendo o que cata no lixo.
O Mercado Municipal de São Paulo é enorme e antigo,tendo passado por sérias reformas.Mas é lindo e inesquecível.

domingo, 6 de novembro de 2011

Natureza

Chamou-se de Natureza a tudo além do ser humano.
É bom lembrar que os seres humanos,como os outros animais,tambem fazem parte da Natureza.
Muitos nomes foram inventados para denominar as muitas divisões que foram feitas.
As divisões facilitam o entendimento,mas, na Natureza, as diferentes coisas estão entrelaçadas sem se misturarem e sem poderem ser separadas.
Tudo passou a ser analisado.O que ninguem podia explicar foi chamado de 'mistério'.
As interpenetrações e dependências produzem outras coisas,com aparência diferenciada,mas presas à mesma corrente.
Por mais que alguem se sinta solto,faz parte de uma família,tem necessidades,serve para alguma coisa e, como tudo que existe,acabará. Cada coisa a seu tempo,lembrando que nada pode ser comparado,pois tudo parece muito diferente.
Até as aparentes destruições produzidas teem suas conseqüências.
As coisas nunca desaparecem,só se transformam em outras coisas.
Depois da morte,muitos se tornam eternos.
Algumas coisas foram imitadas por serem belas,outras serviram de inspiração.As coisas úteis sempre foram tomadas.Muita coisa foi jogada fora por não despertar interesses naquele momento.
Na busca de melhor aproveitar os recursos encontrados,uns exploravam e outros eram explorados,mas sempre houve tanta riqueza,que nunca se poderá saber de tudo.
Enquanto imensos projetos de dominação vão sendo desenvolvidos, as coisas continuam funcionando e, por pior que tudo fique, a população continua aumentando.
É a Natureza!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Para Viver

O cigarro Minister era oferecido para Pomba Gira,pois,diziam,era o que ela gostava.
Eu era office-boy e,passando por uma encruzilhada em Cerqueira César,achei o maço aberto.
No sábado,com a família toda reunida,entrei pela cozinha,com um cigarro aceso:
"Não estou pedindo,estou avisando:estou fumando!"
Era uma afronta,pois fumar era uma das coisas que se tinha que pedir.
Mas as propagandas davam forças suficientes para encarar represálias.
Dizem que o feto já exercita a sucção,útil para o sucesso no mamar e vital para ele se dar bem com a chupeta e as balas.
Também dizem que os humanos fumam desde priscas eras...
Cada povo aperfeiçoou um modo.
Assim como os trajes,o ato de fumar podia dar dignidade,ou seja, não era para qualquer um.
Podia-se,simplesmente,mastigar folhas,mas,era uma honra convidar alguém para entrar na roda e partilhar o cachimbo-da-paz.
O ato sempre teve,também, seu caráter particular, sendo a prática individual muito forte e o aspecto distintivo bem marcado.Existem peças em sabugo de milho ou barro,mais acessíveis e peças sofisticadas,destinadas aos usuários privilegiados.
Descobriu-se que o tabaco e sua fumaça contem elementos químicos viciosos e mortais.
Agora...
Muito se gastou para convencer mais gente das vantagens que cada marca podia proporcionar.
É como emagrecer.Para conseguir dinheiro,vale tudo;besta de quem cai!
Não insista,senão será discriminado!

domingo, 2 de outubro de 2011

Pompeu

,Dizem que,artisticamente,ele é Antonio Pompeo...
Para mim ele é o Zumbi.
Depois que ví o filme Quilombo,cujas personagens já me seduziam,Zumbi será sempre lembrado como o Pompeu.
Ruth de Sousa,Toni Tornado,todos ficarão como emblemas.
A Dandara,vivida pela Zezé Motta,será,sempre,meu modelo de guerreira.
Tudo me pareceu tão autêntico! E todos fizeram vários outros personagens...
A história é muito importante!Pouco difundida,mas,importantíssima!
Até a Vera Fischer participou,lembrando que não só negros fugiam para Palmares:
todos que discordavam daqueles costumes,encontravam em Palmares o apoio que lhes faltava.
Além das exigências de todo dia,tinham que se defender dos ataques.
O mito da imortalidade de Zumbi foi muito bem representado em sua morte:
Pompeu convenceu tanto naquela cena,que me deixou triste.
A desolação só pode se comparar com a surpresa e a satisfação que tive ao vê-lo:
Vívissímo,e tão discreto,em 1988,na Assessoria Afro.
Com um projeto, o Ministério da Cultura comemorava os 100 anos da Lei Áurea...
Trabalhavámos para a Secretaria de Estado da Cultura,que foi,para mim,uma experiência muito rica,mas,o apogeu,seria a apresentação,no Copan,de expoentes negros internacionais.
Sabemos que a lei agradou muito aos ingleses e que,para os negros,o fim do cativeiro e da chibata significaria o abandono e a discriminação.
Mesmo assim,Kizomba foi inesquecível,uma grande festa.
Não posso esquecer o Pompeu,vivendo Zumbi,levando vários tiros,para cair e morrer,e não posso esquecer tanto empenho para fazer com que aquele centenário
fosse inesquecível.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Como esquecer dos pequineses?
Todo mundo tinha.Quer dizer,quase todo mundo!
Famílias inteiras.
Não impregnavam as casas com nenhum cheiro!
Eram bravos e peludos.
Aqueles focinhos chatos e os olhos arregalados lhes davam graça,mas,nada como o rabo...quanto mais curvo e peludo melhor!
Tambem davam-lhes números:0,1,2,3,...
Os menores eram mais procurados.
Além dos tacos brilhando e da cristaleira, não adiantava encher a varandinha de samambaias com antúrios embaixo, se vários pequineses não se empoleirassem no sofá.
Ter um pequinês era como ter televisão...
Diziam que os dentes ameaçadores e as remelas eram próprios da raça: ninguem ligava.
Quando se dizia que era'legítimo',tudo era perdoado.
A moda passou.Vieram os chiuauás, os púdous,os chiátissus...
Ainda não punham lacinhos nem tingiam os bichinhos,mas,já significavam muita coisa.
Carregar um cachorrinho(o mais minúsculo e peludo possível) nos braços e poder dizer'é meu'deve dar um prazer enorme,pois chegaram novas raças,mas,não se substituiu o ato.
Dizem que um cachorinho dá menos trabalho que um bebê e ainda toma conta da casa e,sendo,mesmo,de raça,não cresce nem desobedece.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A cabeça é a primeira, depois vai-se formando o corpo, de acordo com as necessidades.
Em alguns seres, um apêndice móvel é suficiente.Outros desenvolvem membros. Alguns perdem o rabo...
Muitos orgãos são vitais,estando no corpo desde sempre,outros se completam depois.
O desenvolvimento do corpo é seu crescimento e seu declínio, processo que começa antes do nascimento e prolonga-se após a morte.
Enquanto alguns orgãos se desenvolvem, há partes que vão se salientando.
Os dentes podem ser substituídos, para enfrentar novas demandas, e os cabelos podem mudar de cor.
O corpo garante uma existência,mas a reprodução da espécie é garantida pelos orgãos sexuais.
Para os humanos,isso é muito importante.
Os orgãos sexuais,quero dizer.
Ao nascer, todos são muito parecidos,mas os orgãos sexuais são definitivos.
Se o orgão for externo, é um macho;se for interno, é uma fêmea.
A forma de existência daquela criatura será definida naquela hora.
O comportamento dos progenitores será guiado por ali,bem como o comportamento
do ser criado.
Há uns que estabelecem as cores e o emblema que o nascituro deverá cultuar,há aquelas que põem rendados vestidos nos filhos.
Algumas coisas não mudam,por isso, alguns homens viajam para a Europa para voltarem com seios mais vistosos, atraindo,assim, mais clientes e podendo cobrar mais.
Há cinturões de borracha especial, com enormes pênis eretos,para satisfazerem homens e mulheres.
Como tudo que é vivo,o corpo tambem vai se deteriorando,antes de desfazer-se.
Chamam a esta fase de velhice.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Há muito tempo,o planeta era habitado por bichos enormes!
Eles não questionavam nem de onde vieram nem para onde iriam.
Mas,ficaram seus ossos,para não haver dúvidas de que existiram.
Desapareceram por serem muito grandes e não encontrarem alimentação suficiente...teoria discutível que não cala a celeuma sobre o assunto.
Há fósseis de criaturas pequenas da mesma época e há seres vivos que só puderam ser explicados,depois que suas semelhanças com 'supostos' habitantes arcaicos foram percebidas.Há muitas teorias.
Darwin passou à posteridade ao propor uma 'evolução'
É preciso entender que o tempo envolvido aqui é muitíssimo maior que o tempo de uma existência.Uma evolução dependeria de vários fatores e gerações para se efetivar, mas, como seria um processo, não teria um começo estabelecido nem uma conclusão.
As aves teriam sido répteis.
Fato é que, hoje,não há dinossauros, a não ser em obras que usam este tema. Aliás, pode-se auferir grandes lucros com a exploração do interesse que o tema suscita.
Importante é saber, que os dinossauros tornaram-se inviáveis.
Existiram por milhares de anos. Apavoravam.
Os seres humanos também não desaparecerão, mas, terão muito que mudar. Mais ainda. É a evolução.
Agora, vou parar um pouco, pois sinto que preciso comer alguma coisa...

domingo, 14 de agosto de 2011

Nem dava para sentir o frio daquela hora. Me enrolava mais nas cobertas, fingia que ainda dormia e ficava só escutando...
Cheiro do café, no coador, do pão fatiado, tostando, na frigideira...
Minha avó só usava leite-em-pó, que ela 'batia' em água bem quente, na hora de misturar com o café. As canecas já estavam craqueladas e podiam ter alguma lasca na borda.
Enquanto eu tomava o delicioso café ( meio frio) com pão torrado, ouvia o rádio: nem chiava!
Aquelas músicas já soavam desde que eu estava debaixo das cobertas.
Saudosas melodias de violas e violões, as músicas caipiras eram, algumas, acompanhadas de sanfona e tinham uma falsa inocência e muita verdade!
Não se podia falar nada: era 'falta de respeito' falar na hora da comida e minha avó, D.Alzira, queria ouvir o 'ispique'( que é como ela se referia ao 'speaker').
Então, ele repetia:"É o Zé Bétio!", e tocava mais uma música.
Em casa, era bem diferente!
Tinha-se que 'pular da cama' logo.
O leite era fervido e o pão era comprado na venda da D.Cida.
Cada um cortava uma fatia da 'bengala' e passava margarina.
Normalmente, a casa ficava vazia, pois saia-se para trabalhar.
Mas, é inesquecível o som do rádio.
Crimes, mortes, coisas comuns, tudo contado com mestria.
As histórias eram permeadas por muito suspense (muito em moda)e ficavam melhores pela entonação. Só havia relaxamento, quando se ouvia:
"Gil Gomes lhes diz: Bom dia!"
A pausa podia ser mais curta ou mais longa, conforme o suspense da história ou o efeito que se pretendia.
Era incrível a seriedade, durante a pausa, e a prontidão com que tudo continuava.
O jornal 'Notícias Populares' se incumbia de manter aquele clima.
Entre guarânias e boleros, não existiam os 'video-games', os pais tinham que espancar os filhos e ir à missa todo domingo.
Alguns não iam, mas, chamavam os mais assíduos de 'carolas'.
Ninguem falava nada.
O rádio estava sempre ligado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Banzo

Falam que'os escravos comiam terra até morrer' por banzo.
Dizem, tambem, que 'saudade' é uma exclusividade do português(a lingua).
Mas saudade não é um idiotismo legítimo, pois há equivalentes em outras linguas.
Fala-se da nostalgia dos negros,afastados de sua terra...
Há mil interpretações!
Segundo a Igreja Católica, os negros não tinham alma.
É, mesmo,muito difícil definir sentimentos, mas, talvez, ficasse mais fácil, se
se perguntasse, a outros escravizados, o que sentiam.
Sim, pois todos os prisioneiros de guerra eram escravizados!
Pode-se supor que tal realidade fosse insuportável...
Há os que dizem que aquelas pessoas, afastadas de sua origem, comiam terra para sentir maior proximidade...
Os senhores deviam ficar arrasados, pois tinham um tremendo prejuízo!
Não que houvesse grandes despesas com enterro.
Aliás, tambem eram pequenos os gastos com o angú.
Mas, perdia-se uma propriedade! Pagava-se muito por uma nova peça...
Os bebês paridos por escravizadas eram escravos, mas, talvez, para não ter gastos com a criação, eram logo vendidos: ganhava-se algum dinheiro e não se o tinha que criar...
Muitos fugiam, pois preferiam enfrentar as adversidades do lugar estranho.
Até, pode-se chamar o 'banzo' de nostalgia ou 'saudade mórbida', como alguns preferem, mas a atitude tinha um defecho radical.
Podem-se buscar várias explicações, mas, terra era tudo de que dispunham.
De qualquer modo, tinha-se que ter muita coragem,já que a morte não era imediata e,embora agüentassem penúrias,não se pode afirmar que alguem,tratado com tal violência,deixasse de sofrer.
Para fugir de uma existência inglória,ia-se ao encontro da morte!
Daquele jeito, para não viver, era melhor morrer...Será que sentiriam saudade do lugar em que poderiam ser capturados para serem vendidos?
Talvez,quisessem voltar a velhos costumes ou soubessem que a liberdade era só uma ilusão...

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